O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) ofereceu nova denúncia criminal contra o empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como ‘Primo’, e seu parceiro de negócios Roberto Augusto Lemes da Silva, o ‘Beto Louco’, no contexto da Operação Carbono Oculto, que desmantelou rede de lavagem de dinheiro, sonegação e adulteração de combustíveis operada pelo PCC.
Conforme as investigações, Moahamad ‘Primo’ operava distribuidoras de combustíveis em Mato Grosso do Sul para blindar e diluir o patrimônio da facção. Os dois continuam foragidos da Justiça.
Mohamad “Primo” tentou, ao lado de Beto Louco, negociar acordos de delação premiada com o MPSP. No entanto, os promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) recusaram as propostas, avaliando que os empresários omitiram detalhes cruciais sobre a verdadeira extensão do elo com o PCC e a estrutura de lavagem de dinheiro.
Com a nova denúncia por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica apresentada pelo MPSP, o cerco se fecha não apenas sobre os operadores em São Paulo, mas também sobre a rede de apoio e empresas que viabilizaram a expansão do grupo em Mato Grosso do Sul.
Em nota, a defesa de Mohamad Hussein afirmou que a denúncia especula fatos não provados e que “são inseridos dentro de uma narrativa desconexa da realidade”.
“Não é possível, a partir da denúncia, extrair qual é o fato que está sendo objeto da acusação. É uma denúncia de 300 páginas, da qual sequer é possível apontar qual é o crime antecedente que seria objeto de lavagem. Ora a denúncia fala de contexto, ora ela fala de outros processos em curso, de operações investigatórias que vieram antes, para no fim repetir aquela narrativa especulativa: de que há um grande processo de lavagem sem explicar qual é o dinheiro que está sendo lavado, proveniente de onde e de que maneira se dá a alegada lavagem”, diz a nota.
A defesa de Beto Louco afirmou que vai provar, durante o curso do processo, que a denúncia é improcedente.
Grupo tinha sete distribuidoras em Iguatemi
Conforme o relatório, o grupo tinha sete distribuidoras em Iguatemi — e uma das empresas investigadas, a Maximus, tinha o mesmo endereço da Safra Distribuidora de Petróleo S.A. na cidade. Em Iguatemi, o presidente é indicado como Armando Hussein Ali Mourad, irmão de ‘Primo’.
Em Iguatemi, as empresas alvo da operação contra o PCC foram:
- Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda.;
- Safra Distribuidora de Petróleo S.A.;
- Arka Distribuidora de Combustíveis Ltda.;
- Império Comércio de Petróleo S/A;
- Maximus Distribuidora de Combustíveis Ltda.;
- Start Petróleo S/;
- Alpes Distribuidora de Combustíveis.
O documento aponta que a movimentação financeira de uma das empresas em Mato Grosso do Sul teve grande crescimento, de R$ 3 milhões para R$ 3 bilhões. O irmão de Mohamed é presidente da Safra Distribuidora de Petróleo, que tem matriz na Rodovia da Balsinha, na zona rural de Iguatemi.
Ainda segundo o despacho do juiz, todas as outras seis companhias ficam no mesmo endereço. As empresas possuem o capital social idêntico, R$ 4,5 milhões.











