Para Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do grupo Eurasia, o debate sobre o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) reflete tanto o apelo popular quanto as limitações do Congresso Nacional em ano eleitoral. “É muito difícil para o Congresso não votar a favor de um projeto que tem um apelo popular tão grande”, afirma o analista, destacando o peso da opinião pública sobre a decisão legislativa.
Garman observa que o governo colocou a redução da jornada como uma das principais bandeiras para a eleição presidencial, e que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já indicou que pretende levar o projeto à votação ainda no primeiro semestre. No entanto, ele lembra que “a aprovação não está dada” e que obstáculos podem surgir de emendas ao texto e pressões do setor privado.
Segundo Garman, o setor privado quer compensar as perdas com a redução da jornada com uma desoneração da folha.
“A oposição vai querer colocar essa emenda em qualquer proposta de redução da jornada de trabalho, e a equipe econômica do governo atual vai estar muito relutante de abdicar de receita para poder aprovar esse projeto, dado às grandes dificuldades fiscais que o governo e o país vivem”.
Apesar dessas dificuldades, Garman acredita que “a tendência é aprovar”, embora a inclusão de compensações para o setor privado possa adiar a implementação do projeto para depois das eleições.
O Grande Debate: Congresso deve ou não aprovar o fim da escala 6×1?
Os deputados Ivan Valente (PSOL-SP) e Domingos Sávio (PL-MG) debateram, nesta quarta-feira (11), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se o Congresso Nacional deve ou não aprovar o fim da escala 6×1.
Frentes parlamentares ligadas ao setor produtivo buscam reagir ao fim da escala 6×1 defendido pela esquerda com meios-termos em propostas. A CNN Brasil apurou que os grupos consideram apoiar, por exemplo, um regime de trabalho de até 40 horas semanais, mas sem imposições de escalas.
O deputado Ivan Valente defende o fim da escala 6×1 como uma forma de “resgatar a dignidade humana”.
“É óbvio que a carga de trabalho brasileira não é só exaustiva, é praticamente uma certa escravidão”, afirmou. “Não é possível ser eternamente um escravo do capital”, completou.
“O trabalhador brasileiro que só tem um dia por semana livre, ele não encontra condições de fazer um exame, ele não tem condições de ficar com a família, de estudar, de ler um livro”, disse.
“Essa ideia de que isso tudo gerará inflação, ou não temos produtividade do trabalho para isso, isso não cola, pois o aumento da produtividade é uma coisa de longo prazo com investimento técnico, tecnológico e depende de uma política de estado”, concluiu.
Já Sávio pede responsabilidade na condução do tema, que pode causar perdas econômicas.
“É absolutamente natural, necessário, que se faça a discussão, sim, de temas como esse. Mas que se faça com responsabilidade”, citou.
“E dizer que isso não vai aumentar o custo: de duas uma, se você olhar a pesquisa, não é a maioria que quer quando você fala que pode diminuir o salário. Mas se não diminuir o salário, inevitavelmente vai aumentar o custo. E aumentando o custo, aumenta a inflação”, prosseguiu.
“No Brasil nós temos uma jornada, ou seja, o trabalhador deve trabalhar no máximo 44 horas semanais, mas na média brasileira o Brasil, já trabalha 39 horas semanais. Uma mudança abrupta pode levar a um colapso da economia”, finalizou.
CNN Brasil










