O relator da proposta sobre o fim da escala 6×1, senador Omar Aziz (PSD-AM), descarta fazer mudanças no texto aprovado pelo plenário da Câmara.
Segundo Aziz, a intenção é evitar que a PEC (Proposta de Emeda à Constituição) precise retornar para a análise dos deputados. Se for aprovado pelo Senado sem mudanças, o texto poderá seguir diretamente para a promulgação.
O Planalto tem pressionado para que a votação ocorra em tempo recorde e arrisca previsões de que é possível articular a análise no plenário do Senado antes da eleição.
A oposição planeja fazer um pedido de vista, ou seja, de mais tempo para a análise, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para adiar a votação da matéria.
Governistas, no entanto, avaliam que o movimento pode ser perigoso tão próximo das eleições, considerando o apelo popular da proposta.
“Vão ter que meter a cara pra dizer que são contra”, afirmou Aziz à CNN.Para agilizar os trâmites, o senador planeja apresentar o relatório já nesta quinta-feira (27).
A próxima sessão prevista pelo presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), deve ocorrer na semana que vem, quando os parlamentares devem fazer o esforço concentrado para votações.
Se houver pedido de vista na CCJ, parlamentares avaliam que regimentalmente é possível conceder uma hora de pausa nos trabalhos do colegiado para depois a sessão ser retomada em seguida com a votação.
Assim, o caminho ficaria desimpedido para tentar aprovar a PEC no plenário da Casa na mesma semana. Depois da CCJ, a proposta ainda precisa ser votada no plenário, onde são necessários os votos de 49 senadores em dois turnos para a aprovação.
Aliados próximos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no entanto, afirmam que a sinalização, até agora, é de não ter a votação da PEC antes da eleição.
O Planalto aposta as fichas em uma conversa direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), marcada para esta quarta-feira (26).
Alcolumbre enviou a PEC do fim da 6×1 para a CCJ na semana passada, depois de quase três meses parada no Senado. O movimento foi considerado um gesto do senador, que voltou a dialogar com Lula nas últimas semanas.
