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Realidades diferentes: Ideb expõe extremos da educação e revela ranking das escolas de MS

Apesar da melhora dos indicadores da educação em Mato Grosso do Sul, os resultados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) 2025 mostram que o desempenho das escolas ainda é marcado por desigualdades.

Enquanto Nova Andradina lidera os anos iniciais do ensino fundamental, Campo Grande aparece no topo dos anos finais e Ivinhema registra a melhor nota do ensino médio. Já entre os menores índices, predominam escolas indígenas de Amambai, Miranda, Japorã e Aquidauana.

No panorama geral, que reúne escolas estaduais, municipais e federais, Mato Grosso do Sul avançou em todas as etapas avaliadas entre 2023 e 2025. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice passou de 5,6 para 5,9; nos anos finais, de 4,8 para 5,0; e no ensino médio, de 4,0 para 4,4.

Os dados foram organizados pelo Midiamax a partir dos resultados detalhados divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e consideram apenas as escolas que tiveram o Ideb divulgado em 2025.

Anos iniciais do ensino fundamental

Nos anos iniciais, os melhores desempenhos ficaram concentrados em escolas municipais.

As maiores notas foram:
  1. E. M. Pingo de Gente – Polo (Nova Andradina) – 7,7;
  2. E. M. Luciano Silvério de Oliveira (Água Clara) – 7,5;
  3. E. M. Rotary Dr. Nelson de Araújo (Dourados) – 7,4;
  4. E. M. Arco-Íris – Polo (Nova Andradina) – 7,3;
  5. Empate com nota 7,2:
    • E. M. Geraldo Castelo (Campo Grande);
    • E. M. Maria Imaculada Fernandes (Nova Andradina);
    • E. M. João Carlos Pinheiro Marques (Ponta Porã);
  6. Empate com nota 7,1:
    • E. M. Márcia Cristina Fioratti Javarez (Água Clara);
    • Centro Educacional Maria Socorro da Silva Faustino (Água Clara);
    • E. M. Professora Iracema Maria Vicente (Campo Grande).

Na outra ponta do ranking, predominam escolas indígenas.

Os menores Idebs foram:
  1. E. M. Polo Indígena Mbo Erenda Tupã’i Nandeva (Amambai) – 2,7;
  2. E. M. Polo Indígena Mbo Eroy Guarani Kaiowá (Amambai) – 2,8;
  3. E. M. Indígena Polo Pilad Rebuá (Miranda) – 3,0;
  4. Empate com nota 3,3:
    • Mbo Eroga Okara Poty Escola Terreiro de Flores (Laguna Carapã);
    • Escola Municipal Indígena Polo Coronel Nicolau Horta Barbosa (Miranda);
  5. Empate com nota 3,5:
    • E. M. Polo Indígena Mbo’erenda Ypyendy (Amambai);
    • E. M. Polo Presidente João Figueiredo (Miranda);
    • Escola Municipal Indígena Polo Felipe Antônio (Miranda);
  6. Empate com nota 3,7:
    • E. M. Indígena Francisco Farias (Aquidauana);
    • E. M. R. Polo Paiolzinho (Corumbá);
    • E. M. 15 de Outubro (Miranda).

Anos finais do ensino fundamental

Nos anos finais, o Colégio Militar de Campo Grande obteve o maior Ideb do Estado.

As maiores notas foram:
  1. Colégio Militar de Campo Grande – 6,5;
  2. Empate com nota 6,3:
    • E. M. Advogado Demosthenes Martins (Campo Grande);
    • E. E. Professora Nair Palácio de Souza (Nova Andradina);
  3. E. M. Cândido Lemes dos Santos (Caarapó) – 6,2;
  4. Empate com nota 6,1:
    • E. E. Padre Franco Delpiano (Campo Grande);
    • E. E. Coração de Maria (Campo Grande);
    • E. M. Major Aviador Y-Juca Pirama de Almeida (Campo Grande);
    • E. M. Professor Luís Antônio de Sá Carvalho (Campo Grande);
    • E. E. Santos Dumont (Costa Rica);
    • E. E. Padre João Constantino de Monte (Maracaju);
    • E. M. Professor João de Lima Paes (Nova Andradina);
    • E. M. Professora Efantina de Quadros (Nova Andradina);
    • E. E. 4 de Abril (Sete Quedas).

Entre as menores notas, novamente predominam escolas indígenas.

Os menores Idebs foram:
  1. Escola Municipal Indígena Polo Coronel Nicolau Horta Barbosa (Miranda) – 2,7;
  2. Empate com nota 2,8:
    • E. M. Polo Indígena Mbo Eroy Guarani Kaiowá (Amambai);
    • E. M. Indígena Polo Pilad Rebuá (Miranda);
  3. Empate com nota 3,1:
    • Escola Polo Municipal Indígena Alexina Rosa Figueiredo (Dois Irmãos do Buriti);
    • Escola Municipal do Campo Professor José Dodô da Rocha (Selvíria);
    • Escola Municipal João Batista (Sidrolândia);
  4. Escola Municipal Iracy da Silva Almeida (Ribas do Rio Pardo) – 3,3;
  5. Empate com nota 3,4:
    • Escola Polo Municipal Indígena Cacique Ndeti Reginaldo (Dois Irmãos do Buriti);
    • Escola Municipal Indígena Cacique João Batista Figueiredo (Sidrolândia);
  6. Empate com nota 3,5:
    • E. M. I. Polo Marcolino Lili (Aquidauana);
    • E. M. Laudemira Coutinho de Melo (Dourados).

Ensino médio

Confira as melhores notas no ensino médio a seguir.

As maiores notas foram:
  1. E. E. Senador Filinto Müller (Ivinhema) – 5,9;
  2. E. E. João Brembatti Calvoso (Ponta Porã) – 5,8;
  3. E. E. Professora Nair Palácio de Souza (Nova Andradina) – 5,7;
  4. E. E. Augusto Krug Netto (Chapadão do Sul) – 5,6;
  5. Empate com nota 5,4:
    • E. E. Dr. Fernando Corrêa da Costa (Amambai);
    • E. E. Professor Emygdio Campos Widal (Campo Grande);
    • E. E. São José (Campo Grande);
    • E. E. Vespasiano Martins (Campo Grande);
    • E. E. Padre Constantino de Monte (Maracaju);
    • E. E. São José (Vicentina).

Entre os menores índices, predominam escolas indígenas.

Os menores Idebs foram:
  1. Escola Estadual Indígena Kuna Yruku – Marina Lopes (Japorã) – 2,7;
  2. E. E. Indígena Cacique Ndeti Reginaldo (Dois Irmãos do Buriti) – 3,0;
  3. Empate com nota 3,3:
    • E. E. Indígena Mbo Eroy Guarani Kaiowá (Amambai);
    • E. E. Indígena Pascoal Leite Dias (Aquidauana);
    • E. E. Indígena Professor Domingos Veríssimo Marcos;
  4. Empate com nota 3,4:
    • E. E. Miguel Sutil (Camapuã);
    • E. E. Indígena Cacique Timóteo (Miranda);
    • E. E. Professor Carlos Pereira da Silva (Ponta Porã);
  5. Empate com nota 3,5:
    • E. E. José Ferreira Barbosa (Campo Grande);
    • E. E. Antônio Valadares (Terenos).

O  Ideb é divulgado a cada dois anos pelo Inep e combina o desempenho dos estudantes no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) com os indicadores de rendimento escolar, considerando tanto a aprendizagem quanto a taxa de aprovação.

Secretário pede cautela na comparação entre escolas

Coletiva SED
Coletiva realizada na SED. (Foto: Leo de França, Midiamax)

Os resultados também reacendem o debate sobre os limites do Ideb como ferramenta de comparação entre escolas. Para o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, o indicador é importante para medir a evolução da aprendizagem, mas não deve ser utilizado para comparar unidades que atendem realidades muito diferentes.

“Não é justo comparar escolas que atendem realidades completamente diferentes. Há crianças que vão para a escola principalmente para se alimentar e outras que encontram todas as condições para aprender. Precisamos comparar cada escola com ela mesma e reconhecer sua evolução.”

Daher também destacou que Mato Grosso do Sul ampliou significativamente a participação dos estudantes da rede estadual no Saeb. Em 2023, cerca de 30% dos alunos realizaram a prova. Em 2025, esse percentual chegou a aproximadamente 90%, tornando os resultados mais representativos da realidade da educação pública sul-mato-grossense.

Segundo o secretário, o Estado optou por ampliar a participação dos estudantes na avaliação, em vez de restringi-la aos alunos com melhor desempenho, buscando um retrato mais fiel da qualidade do ensino.

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