A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar a liminar do ministro André Mendonça que prorrogava a CPMI do INSS evidencia uma grave crise institucional no Brasil, segundo análise de Creomar de Souza, CEO da consultoria Dharma Politics.
Durante entrevista ao WW, nesta quinta-feira (26), Souza destacou que o episódio revela uma ruptura fundamental nas relações entre os Poderes. “Há uma quebra daquilo que é um elemento fundamental em uma lógica de diálogo democrático, que é confiança e compromisso. Os poderes perderam a confiança e a capacidade de construir compromisso juntos”, afirmou.
O analista observou que esta situação tem gerado um ciclo de acusações mútuas entre as instituições. “Isso efetivamente vai fazendo com que a gente tenha situações em que o Supremo Tribunal Federal se queixa do Legislativo por cometer uma prática que ele repetidamente tem feito”, explicou Souza.
Brasil em “tempestade perfeita”
Creomar alertou para o que chamou de “tempestade perfeita” que o Brasil enfrenta atualmente. “O que nós encontramos no ano de 2026 é o Brasil imerso em uma tempestade perfeita, porque nós temos uma confluência de crises do ponto de vista institucional, político, decisório e internacional”, destacou.
Segundo o especialista, as perspectivas não são animadoras, a menos que surja uma liderança capaz de estabelecer novos compromissos entre as instituições. “O ambiente não nos dá a possibilidade de pensar em prospectos que sejam muito animadores, a não ser que nós tenhamos alguém com capacidade de construir um mínimo regramento de compromisso possível”, avaliou.
O CEO da Dharma Politics enfatizou que a solução passa por reestabelecer “um controle mínimo que vem sobretudo na retomada das funções e prerrogativas constitucionais de cada um dos entes institucionais presentes no jogo”. Para ele, sem esse reequilíbrio institucional, o cenário de tensão entre os Poderes tende a se agravar.
CNN Brasil










