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Paulo Bracks, novo CEO do Santos, foi demitido pela 777 Partners no quase rebaixado Vasco

Paulo Bracks, novo CEO do Santos, foi demitido pela 777 Partners no quase rebaixado Vasco

Houve uma época em que, quando um time de futebol começava a tropeçar demais nas principais competições, a diretoria se prontificava em trocar de técnico ou buscar um novo atacante ou camisa 10, na esperança de retomar o caminho das vitórias.

Hoje em dia, porém, a nova tendência é procurar um CEO no mercado. Na semana passada, por exemplo, o Corinthians movimentou o noticiário com as negociações envolvendo Fred Luz, ex-executivo do Flamengo e que atualmente responde pela área de esportes e entretenimento da Alvarez & Marsal.

Mas enquanto o Corinthians, que luta para sair da zona de rebaixamento na primeira divisão, não chegou a assinar contrato com o novo manda-chuva, o rival Santos, que tenta retornar à Série A do Brasileirão, já conta com um CEO para chamar de seu. Paulo Bracks foi apresentado pelo Peixe na última quinta-feira (27). Ele terá a função de cuidar não apenas do departamento de futebol, mas também de ajudar a gerenciar outras áreas da equipe.

Logo que assumiu, Bracks fez questão de respaldar o trabalho do diretor de futebol Alexandre Gallo. O Santos vinha de um momento conturbado nos gramados, iniciado no último dia 19 de maio, quando perdeu para o América-MG, por 2 a 1. Até então, o clube vinha fazendo uma campanha tranquila na Série B do Brasileirão, mas engatou uma sequência de quatro derrotas consecutivas.

O time voltaria a vencer contra o Goiás. Atualmente, ocupa a segunda colocação na tabela, com 22 pontos, um a menos que o líder Avaí.

O Peixe tem a mesma pontuação do terceiro e do quarto colocado, América-MG e Operário-PR, e um ponto a mais que o Vila Nova, primeiro de fora da zona de classificação.

É nesse cenário, ainda um tanto conturbado e em que o técnico Fábio Carille e o próprio Alexandre Gallo chegaram a balançar, que Bracks assume. Mas ele já está acostumado a lidar com situações adversas.

Experiência profissional

Paulo Bracks, novo CEO do Santos, é advogado e tem pós-graduação em ciências criminais. Também possui MBA em direito desportivo e negócios do esporte, além das formações de gestor em futebol e analista de desempenho, ambas obtidas com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Ainda realizou o curso de gestor técnico na Universidade do Futebol, instituição que se dedica a estudar, pesquisar, produzir, divulgar e propor mudanças nas diferentes áreas e setores relacionados ao universo desse esporte.

Atuou no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) a partir de 2007, primeiro como auditor e depois como presidente da comissão disciplinar. Deixou o órgão em 2014, para assumir como diretor de competições da Federação Mineira de Futebol (FMF).

Sua experiência em clubes teve início em 2018, no América-MG. Logo naquele ano, o clube foi rebaixado à Série B do Brasileirão. Bracks, porém, estava à frente das categorias de base da equipe.

Em 2019, quando o executivo já atuava no futebol profissional, o Coelho conseguiu sair da zona de rebaixamento à Série C e terminar o campeonato em quinto na classificação geral. O acesso à elite viria em 2020, quando o América terminou em segundo lugar na tabela e garantiu o retorno à Série A.

Naquele ano, Bracks transferiu-se para o Internacional, que fez boa campanha no Brasileirão. Na fase final, concluída em 2021, por conta da paralisação forçada em decorrência da pandemia da Covid-19, o clube chegou a liderar a competição, mas acabou perdendo o título para o Flamengo, por apenas um ponto de diferença.

Em 2021, o Internacional disputou a Copa Libertadores, mas acabou sendo eliminado pelo Olimpia, do Paraguai, nas oitavas de final. No Gaúchão, a taça ficou nas mãos do arquirrival Grêmio. E no Brasileirão a equipe terminaria em 12º lugar.

Bracks permaneceu no clube de Porto Alegre até 2022, quando foi contratado pela 777 Partners, dona de 70% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco, para o cargo de diretor esportivo.

Vasco

A experiência de Bracks à frente do América-MG foi decisiva para sua contratação pela 777 Partners. Na época em que atuou no clube mineiro, o executivo priorizou atletas da base e, com um elenco jovem, obteve bons resultados em campo.

Quando a 777 assumiu o controle da SAF do Vasco, o clube estava na Série B do Brasileirão. No ano seguinte, no retorno da equipe à elite do futebol nacional, a investidora adotou uma política agressiva de abrir os cofres, na esperança de obter bons resultados esportivos.

No planejamento estabelecido pela direção da SAF para a temporada 2023, o Vasco deveria ter alcançado, pelo menos, uma vaga na Pré-Libertadores – ou algo muito próximo a isso, no andar de cima da tabela.

Na prática, porém, o clube passou grande parte da competição navegando pela zona de rebaixamento e só escapou do cadafalso na última rodada, com apenas dois pontos a mais que o Santos, que foi parar na Série B. O time paulista caiu graças, entre outras coisas, à vitória do Vasco (que estava atrás na classificação) por 2 a 1, contra o Red Bull Bragantino.

A gestão de Paulo Bracks gastou cerca de R$ 110 milhões em contratações para o Vasco, em 2023. A falta de resultados da equipe, mesmo após esse grande investimento em elenco, aliada à demora na troca de técnico depois da demissão de Maurício Barbieri (o substituto Ramón Díaz demorou três semanas para ser anunciado), foi decisiva para a demissão de Bracks pela 777, anunciada um dia depois de o time garantir a permanência na Série A.

Por ironias da vida, a própria 777 Partners agora está mergulhada numa crise sem precedentes ao redor do mundo e vê sua permanência no Gigante da Colina (e no próprio universo do futebol) seriamente ameaçada. Enquanto isso, caberá a Bracks a missão de trazer de volta para a Série A o mesmo Santos que ele, com seu titubeante Vasco, de certa forma também ajudou a mandar para a segunda divisão.

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