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Palco de venda de sentenças, TJMS engorda salários de desembargadores antes de lei

Palco de venda de sentenças, TJMS engorda salários de desembargadores antes de lei

Palco de escândalo por suspeitas de vendas de sentenças judiciais, o Tribunal de Justiça de MS passou a pagar o ”quinquênio”, uma espécie de bônus por tempo de serviço e que engorda o salário dos desembargadores da Corte. A proposta para regularizar esse ”aumento”, ainda está em discussão no Senado, mas isso não intimidou o Tribunal a gastar mais. 

As informações são do jornal paulista Estadão, publicadas nesta segunda-feira (2). O site levantou que o TJMS está entre 19 tribunais estaduais que pagam o quinquênio, mesmo antes do parlamento oficializar o pagamento. 

Senado

A discussão no Senado tem o objetivo de oficializar – ou não – o pagamento do Adicional por Tempo de Serviço – o ATS – de maneira que o pagamento – de 5% a mais a cada período – não dependa de atos e resoluções dos tribunais estaduais, federais ou mesmo das cortes superiores e vire um direito constitucional. 

A PEC que tramita na Casa Alta propõe que o valor a mais para os desembargadores e juízes não pode ultrapassar 35% do salário deles. No entanto, não seria contabilizado dentro do teto do funcionalismo público, que atualmente é de R$ 44 mil. 

O Estadão diz ter consultado todos os tribunais apontados como pagadores do quinquênio, mas somente um tribunal federal – O TRF da 5ª Região – respondeu. Ou seja, a Corte de MS ignorou – pelo menos até o momento – a pergunta de um dos jornais mais estabelecidos do País. 

O jornal paulista questionou quanto era pago e qual o impacto disso no orçamento da Corte. Consta que os pagamentos são feitos para os magistrados da ativa, aposentados e até pensionistas. 

Segundo trouxe o O Antagonista, a Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado estima que a PEC do Quinquênio terá um impacto de até 81,6 bilhões de reais aos cofres públicos entre 2024 e 2026.

Autorizado

O site trouxe também que o retorno do ‘’infla salário’’ foi autorizado pelo Conselho da Justiça Federal em 2022, depois de ter sido extinto em 2006. Em 2023, o então corregedor Nacional de Justiça, Luís Felipe Salomão, validou a verba extra. 

Divoncir e Sideni estão entre os afastados das funções (Reprodução TJMS e PF)

Escândalo 

O Tribunal de MS foi afetado por um escândalo de corrupção, revelado na Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal, em 24 de outubro deste ano. A investida policial trouxe tantos elementos que cinco desembargadores – os da ativa- foram afastados de suas funções. 

Segundo a PF, conversas de WhatsApp entre magistrados, um juiz de Campo Grande, empresários e advogados revelou um grande esquema de venda de sentenças. A operação criminosa passava por escritórios de advocacia dos filhos dos envolvidos. 

Os suspeitos estão usando tornozeleira eletrônica e seguem afastados por 180 dias. Os atos suspeitos entre desembargadores superam os R$ 200 milhões. 

O espaço está aberto para manifestação da defesa dos citados. 
 



Fonte

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