A prisão de Neno Razuk aconteceu em um posto de fiscalização policial na Bolívia, no momento em que o ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho seguia viagem rumo a Santa Cruz de la Sierra; ele estava foragido da Justiça de Mato Grosso do Sul desde 8 de julho.
O nome da família Razuk já era associado pelo Ministério Público estadual a uma organização criminosa voltada à exploração do jogo do bicho na região sul do Estado, estrutura que, segundo o Gaeco, teria ficado sob comando de Roberto Razuk, pai do ex-deputado, após a atuação de Fahd Jamil; o pai cumpre atualmente prisão domiciliar, enquanto os irmãos Rafael e Jorge seguem presos.
Na abordagem boliviana, Neno apresentou uma Carteira Nacional de Habilitação brasileira aos policiais locais, e foi a partir da conferência desse documento que as autoridades constataram a permanência irregular dele em território boliviano, motivo que levou à detenção. Depois de identificado, o ex-deputado foi conduzido até a fronteira e entregue à Polícia Federal em Corumbá, onde teve formalizado o cumprimento do mandado de prisão expedido pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande, documento que ele próprio assinou, junto com seu advogado.
Chama atenção o fato de a captura ter ocorrido antes da conclusão do pedido de inclusão de Neno Razuk na lista de Difusão Vermelha da Interpol; a Justiça sul-mato-grossense havia autorizado esse procedimento em 28 de julho, mas o alerta internacional ainda não estava ativo quando ele foi abordado no posto boliviano. Assim, a detenção decorreu exclusivamente da irregularidade migratória, e não do cumprimento de um mandado internacional de captura. A expectativa agora é de que o ex-parlamentar seja removido para Campo Grande e encaminhado ao sistema prisional.
O advogado Roberto Razuk Neto, que acompanha os trâmites em Corumbá, confirmou os procedimentos realizados na sede da Polícia Federal na cidade. Já Ricardo Souza Pereira, responsável pela defesa de Neno Razuk no processo, informou que aguardava atualizações sobre o andamento do caso.
Trajetória na Operação Successione
O mandado que resultou na condição de foragido de Neno Razuk decorreu da condenação em primeira instância na Operação Successione, investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado. Na ação penal, o ex-deputado recebeu pena de 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, e chegou a recorrer em liberdade até a sentença de prisão ser decretada.
Além dessa condenação, Neno também responde como réu na quarta fase da Successione, deflagrada em novembro de 2025, que apura organização criminosa, roubo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção penal ligada à exploração de jogos de azar. Em maio deste ano, ele já havia perdido o mandato de deputado estadual, depois que a Justiça Eleitoral determinou a recontagem dos votos, e com isso deixou de ter foro por prerrogativa de função e outras garantias vinculadas ao cargo.
