Preso na quinta-feira (13) por liderar fraudes em contratos públicos de saúde, o médico-legista Robson Roosevelt Ferreira Aguilar foi oficialmente afastado do cargo em publicação no Diário Oficial desta segunda-feira (17).
Conforme a publicação, a Sejusp-MS (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul) determinou o recolhimento da arma funcional do médico, além da carteira funcional do servidor público.
A publicação é assinada pelo corregedor-geral de Polícia Civil: “[…] além da suspensão de senhas e logins de acesso aos bancos de dados da instituição policial, sistema SIGO, INFOSEG, suspensão de férias, caso tais medidas ainda não tenham sido adotadas, informando à CoordGP/SEJUSP/MS, DGP/DGPC, DRAP/DGPC, ASSETEL/DGPC, DIP/DGPC, CGP/SEJUSP e GAB/DGPC/MS para os fins pertinentes. Com efeito a contar da data da prisão: 13/08/2026“, diz trecho da portaria.
A reportagem apurou que Robson havia sido reprovado dias antes em curso de aperfeiçoamento da Polícia Civil.
Concursado, ele atua na perícia desde 2021 e recebia salário de R$ 11,1 mil, mas está afastado das funções desde que foi preso. O médico é investigado por atuação como dono da clínica Prontomed (atual Policlínica Rota Bioceânica), que pagava propina a ex-secretários de saúde de Nioaque para receber por exames superfaturados e nunca realizados, conforme revelou a Operação Auditus II, do Gecoc (Grupo de Combate à Corrupção).
Conforme informações do Diário Oficial do Estado, Robson foi reprovado em um curso de aperfeiçoamento da Polícia Civil, em publicação do dia 10 de agosto de 2026 — três dias antes de ser preso.
Em deliberação assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Lupérsio Lúcio, o Conselho Superior da instituição negou recurso de Robson e enterrou de vez as chances do médico-legista ter aumento de salário.
O motivo é a falta de apresentação de certificado de cursos para a Acadepol: “Voto pelo conhecimento do recurso e, no mérito, pelo seu desprovimento, mantendo-se a inclusão de Robson Roosevelt Ferreira Aguilar na relação de servidores inabilitados à Promoção Funcional”, diz trecho da decisão.
Foi candidato a vice-prefeito e faturou milhões com esquema
As investigações do Gecoc revelaram que Robson faturou mais de R$ 4 milhões com o esquema, que recebia por bebês que nunca nasceram e valores exorbitantes, muito acima da tabela do SUS e do praticado por outras clínicas.
Além disso, o Dr. Robson — como é conhecido — foi candidato a vice-prefeito de Antônio João, cidade na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, em 2012, na chapa do professor Elimar Brum, pelo PDT. Os dois terminaram aquela eleição em segundo lugar.
Tudo o que foi apurado na Operação Auditus II chegou à conclusão de que cerca de 83% de todos os exames pagos por Nioaque no período investigado nunca foram realizados.
Conforme o Gecoc, Márcia Jara, ex-secretária de Saúde, e Vagner Guimarães, ex-secretário de Governo, recebiam propina para ‘aceitar’ todos os pagamentos que vinham da Prontomed. Isso porque, na modalidade de contratação feita com a clínica, a empresa só recebia por procedimento realizado.
Com a derrota do candidato apoiado pelo prefeito Valdir Júnior nas Eleições 2024 para o opositor André Guimarães (PP), o esquema ‘melou’ em Nioaque.
Com isso, o grupo tentou emplacar o mesmo tipo de fraude nas prefeituras de Guia Lopes da Laguna e Bela Vista, que foram alvos de busca e apreensão pelo Gecoc.
Após a mudança de gestão em Nioaque, o contrato vigorou por três meses até ser encerrado. Nesse primeiro trimestre do ano, houve redução de 70% no número de procedimentos faturados pela prefeitura.
A reportagem tenta desde quinta-feira (13) contato por ligação e mensagem com o ex-prefeito Valdir Júnior, mas não obtivemos respostas. O espaço segue aberto para posicionamento.
E pode ficar tranquilo, porque nós garantimos total sigilo da fonte, conforme a Constituição Brasileira.
