Mato Grosso do Sul registrou a 4ª maior taxa de feminicídio entre os estados brasileiros em 2025. Durante todo o ano, 39 mulheres perderam a vida em razão da condição do sexo feminino, no contexto da violência doméstica e familiar, seja por menosprezo ou discriminação à condição de mulher. É o que aponta o Anuário da Violência Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).
A Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015, tipificou o feminicídio como uma qualificadora do homicídio, quando o crime é cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Considera-se que essas razões estão presentes nos casos de violência doméstica e familiar ou de menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Em 2024, o feminicídio foi reconhecido como crime autônomo pela Lei nº 14.994, de 9 de outubro.
No Brasil, os feminicídios aumentaram de 1.504 para 1.571, um aumento de 4% em relação a 2024. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), revela que, nos últimos anos, tem ocorrido uma queda das mortes violentas de mulheres que não foram enquadradas como motivadas por razões de gênero. Ao mesmo tempo, os crimes de feminicídio continuam crescendo.
A região Centro-Oeste do Brasil apresentou as maiores taxas do país, com 9,8 vítimas por 100 mil mulheres. Em Mato Grosso do Sul, os feminicídios aumentaram de 35 em 2024 para 39 em 2025, apresentando um crescimento de 10,5%.
A taxa de registros por grupo de 100 mil mulheres foi de 2,6 em Mato Grosso do Sul. O maior aumento foi no Acre (3,2), seguido de Rondônia (2,9) e Mato Grosso (2,7).
Entre os casos de maior repercussão registrados em Mato Grosso do Sul, está o feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, ocorrido em fevereiro de 2025, em Campo Grande. A jornalista tinha 42 anos quando foi esfaqueada três vezes dentro da própria casa por Caio do Nascimento Pereira — na época, noivo dela.
O Estado também tem a maior taxa de descumprimento de medidas protetivas, que chegou a 96 ocorrências por 100 mil habitantes, ficando atrás do Paraná, do Rio Grande do Sul e de Rondônia.
Em 2025, foram 2.809 medidas protetivas descumpridas, 515 a mais do que em 2024, evidenciando um aumento de 21,5%. O que chama a atenção é que Mato Grosso do Sul também ficou acima da média nacional, que foi de 16,7%.
Anuário Brasileiro de Segurança Pública
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública se baseia em informações fornecidas pelas secretarias de segurança pública estaduais, pelas polícias civil, militar e federal e por outras fontes oficiais da Segurança Pública.
A publicação é uma ferramenta importante para a promoção da transparência e da prestação de contas na área, contribuindo para a melhoria da qualidade dos dados. Além disso, produz conhecimento, incentiva a avaliação de políticas públicas e promove o debate de novos temas na agenda do setor. Trata-se do mais amplo retrato da segurança pública brasileira.









