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Lula ajusta tom contra Flávio e amplia “bondades” na reta final do 1º turno

Às vésperas do 1º turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o principal adversário na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL), e passou a anunciar medidas populares para tentar alcançar o eleitorado.

As ações ocorrem após sucessivas pesquisas eleitorais mostrarem Flávio numericamente à frente de Lula em cenários de 2º turno e em meio a críticas e mudanças na campanha do petista à reeleição.

A orientação dada à militância petista é concentrar, nesta reta final, os esforços nas críticas a Flávio e na relação do senador com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A ordem é explorar o mote “votar em Flávio é votar em Vorcaro”, associando diretamente os dois.

A campanha também vai explorar o fato de que, desde julho, Flávio é investigado pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de diversos crimes, como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).

A informação veio a público na semana passada, após o fim do sigilo de parte das investigações no âmbito do Caso Master.Outro elemento que passou a ser explorado pela campanha e pelo próprio presidente Lula é a informação de que uma empresa ligada ao senador divide o mesmo endereço em Brasília com pelo menos 16 empresas de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Mudança de foco

Com isso, a campanha também busca tirar o foco da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), que teve um dos principais momentos na terça-feira (15/9), quando o plenário da Corte começou a analisar a legitimidade de um relatório da Polícia Federal que reúne supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

A avaliação é de que, sem novos desdobramentos envolvendo o ministro André Mendonça, que protagoniza a crise no STF com Moraes, a repercussão da tensão na Corte tende a perder espaço no debate político. A oposição tem apostado em críticas a Moraes associando-o ao presidente Lula, numa tentativa de desgastar a imagem do petista.

A aposta, então, é direcionar a discussão para o envolvimento de Flávio com Vorcaro e, ao mesmo tempo, concentrar o discurso em temas do cotidiano e pautas populares, incluindo novos anúncios do governo federal de olho na melhora da aprovação do eleitorado.

 

O próprio presidente Lula tem endurecido publicamente as críticas ao senador. Na sexta-feira (18/9), em entrevista à Rádio Tupi, ele afirmou que “tem candidato a presidente que é ligado aos milicianos no Rio de Janeiro”, em referência ao senador, e que “tem muita gente da família Bolsonaro metido com os milicianos”.

Na quinta-feira (17/9), durante ato de campanha em Montes Claros (MG), o candidato à reeleição chamou o adversário de “ninguém” e pediu que os eleitores o comparassem ao pai dele.

Durante comício em Ceilândia (DF), na última quarta-feira (16/9), em referência a Flávio e a seu irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado pelo PL, Lula declarou que o Brasil não comporta políticos “vira-latas” que ficam “de quatro” para os Estados Unidos.

O petista também tem ressaltado, em entrevistas e discursos em comícios, que o aval para a abertura e o funcionamento do Master foi dado pelo governo Bolsonaro e que, na gestão petista, Vorcaro foi “transformado em prisioneiro”.

A nova ofensiva contra Flávio é resultado da “virada de chave” na campanha, discutida na semana passada em uma reunião da Executiva Nacional do PT. No encontro, o coordenador da campanha de Lula e presidente do PT, Edinho Silva, ouviu críticas à desorganização da campanha e apelos para que o presidente deixasse a defensiva e retomasse o protagonismo na opinião pública.

 

Tanto petistas quanto integrantes do Palácio do Planalto estavam preocupados com o avanço do filho mais velho de Jair Bolsonaro nas intenções de voto à Presidência e defenderam uma repaginação da campanha, com uma postura mais ofensiva em vez de permanecer na defensiva.

Pacote de “bondades”

Na tentativa de reduzir o espaço da crise no STF, a gestão de Lula tem concentrado esforços em uma agenda positiva, com temas populares que podem ajudar a melhorar a imagem do petista na reta final da campanha.

Entre as medidas, está o anúncio, na quinta-feira, do reajuste de 15,04% do Bolsa Família, principal marca social das gestões petistas e criado ainda no primeiro mandato de Lula, em 2003. A medida elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691.

Já o valor médio, que considera a soma dos benefícios recebidos pelas famílias, passou de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores serão pagos na folha de outubro.

A gestão petista nega que o reajuste tenha relação com as eleições deste ano. Segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, a medida foi feita “com muita responsabilidade” e cumpre a regra legal que autoriza a recomposição da inflação.

Na esteira dos anúncios populares, Lula comunicou que canetas emagrecedoras serão oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade que tenham indicação médica para o tratamento. A medida ainda depende da definição de protocolo clínico e de critérios para a incorporação dos medicamentos.

A oferta será acompanhada de critérios médicos para definir quais pacientes terão acesso aos medicamentos. O Ministério da Saúde já testa, em Porto Alegre (RS), um protocolo com cerca de 250 pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças e com indicação para cirurgia bariátrica.

O governo também estuda um novo programa para reduzir o endividamento das famílias brasileiras. Depois do Novo Desenrola Brasil, o foco da vez serão dívidas antigas. Na proposta, o Tesouro Nacional compraria os débitos dos consumidores com deságio por meio de leilões.

Porém, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao UOL que não dará tempo de tirar o projeto do papel ainda em 2026, e a proposta seria colocada em prática apenas em uma eventual reeleição de Lula.

O presidente também avalia adotar uma iniciativa contra as plataformas de apostas esportivas on-line, as bets, antes das eleições. O formato ainda não está definido e pode envolver desde novas restrições à publicidade até ações mais duras contra os cassinos virtuais, como o chamado Jogo do Tigrinho.

Lula tem endurecido o discurso em relação às plataformas. Em entrevista ao podcast Desce a Letra Show, ele afirmou ter como “disposição pessoal acabar com as bets”. Disse ainda que não existe “bet boa e bet ruim” e declarou: “Todas as bets vivem de jogo”.

“A minha disposição pessoal é acabar com as bets. Obviamente que eu tenho que ouvir outras pessoas, porque eu não posso tomar uma decisão abrupta sem pensar nas consequências dela. Mas, sinceramente, as bets, hoje, são uma desgraça neste país para o povo pobre que trabalha e que perde seu dinheiro jogando”, afirmou.

Campanha prepara mobilizações antes do 1º turno

A campanha petista prepara três novos atos de mobilização nacional para impulsionar a candidatura de Lula nas duas semanas que restam até o 1º turno.

No último domingo (13/9), o Partido dos Trabalhadores (PT) realizou uma mobilização nacional em todos os estados do país em prol da reeleição do presidente. A ação registrou cerca de 1.120 atividades em pelo menos 130 municípios. A data, simbólica por coincidir com o número do partido na urna eletrônica, marcou exatamente três semanas para o 1º turno das eleições.

Na próxima segunda-feira (21/9), a sigla também vai mobilizar apoiadores do petista com o mote “faltam 13 dias para votar no 13”.

No domingo seguinte (27/9), quando faltará exatamente uma semana para o 1º turno, o PT pretende repetir os atos espalhados pelo país e as ações nas redes sociais nos moldes do que aconteceu em 13 de setembro.

Na sexta-feira (2/10) e no sábado (3/10), véspera da eleição, a campanha quer realizar uma “blitz” com duração de 48 horas seguidas de mobilização nas ruas e na internet em defesa de Lula.

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