Com gritos ‘pró Lula e fora Riedel’, Marcha dos Excluídos cruzou a rua 13 de maio com forte escolta da Polícia militar, em seguida ao desfile militar de 7 de setembro, em Campo Grande. A passagem do grupo que representa as minorias e pediu o fim do feminicídio e a reforma agrária demorou poucos minutos e foi dispersado pela polícia.
Três viaturas e mais de 20 militares acompanharam o grupo que saiu da rua Marechal Rondon e caminhou até a 15 de novembro, como forma de levantar bandeiras importantes para a sociedade. Neste ano, o Grito reforça a luta pela terra, pela paz e pela moradia, com destaque para a defesa da vida das mulheres e da soberania nacional.
Presidente do sindicato dos professores da UFMS, José Roberto Rodrigues, explica que o Grito dos Excluídos é uma iniciativa da Igreja Católica há 32 anos, organizado pelas pastorais sociais. “A gente vem apoiando porque gritar por melhorias na saúde, na educação, isso é fundamental. Então não é um movimento só para esse dia, para essa data, é um movimento político de 32 anos, lutando por melhorias da qualidade de vida da gente. E das pessoas menos favorecidas”, disse ele.
Apesar da passagem muito rápida, o professor lembrou que em anos anteriores, o movimento foi impedido de participar ou mesmo só liberado para desfilar após a dispersão total do público. “Desta vez nós conseguimos entrar logo na sequência do desfile, então foi menos ruim que encontramos gente pra mostrar, pra falar um pouco do que é da nossa proposta”, destacou.

Luta pelo fim do feminicídio
O grupo ergueu cartazes e entoou gritos em apoio a luta das mulheres e pedindo o fim dos feminicídio. Mato Grosso do Sul contabiliza 25 mulheres assassinadas entre janeiro e agosto deste ano, em uma estatística que só aumenta.
Cristiane Santana de Oliveira participou pelo movimento de mulheres e pelo conselho nacional de leigos e leigas da igreja católica. “Queremos mulheres vivas. Mato Grosso do Sul é muito desfavorecido na questão do enfrentamento ao feminicídio, apesar de termos uma Casa da Mulher Brasileira, a primeira que foi instituída no país, mas é preciso avançar. Por isso, hoje nós estamos na rua, junto com todos esses cidadãos e cidadãs que se juntaram ao grito dos excluídos para dizer que é necessário que a população, que a sociedade como um todo, exija do governo, medidas melhores”.
Ela lembrou que Dourados é a primeira cidade em violência sexual contra crianças e adolescentes no ranking nacional e é necessário que haja políticas publicas efetivas e um discurso coerente pelo fim da violência contra a mulher.