Paralisação de técnicos e professores universitários começou em março A Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados discutiu nesta quinta-feira (dia 20) a greve na educação federal. A paralisação começou em março e abrange técnicos e professores universitários em busca de reposições das perdas salariais.
O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) comandou a mesa. Participaram da sessão representantes sindicais, do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Representante da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas (Fasubra), Ivanilda Reis afirmou que, apesar da mesa de negociação com o governo federal, os profissionais têm enfrentado demora para novas rodadas de diálogo.
– A categoria tem o pior salário do Executivo, recebemos menos de dois salários mínimos de piso. Temos uma carreira com técnicos administrativos qualificados, com mestrado, doutorado, com dificuldades imensas no dia a dia e que faz mover as universidades nesse país. Temos técnicos de tecnologia da informação, um cargo importantíssimo dentro da universidade, que recebem em torno de R$ 4,5 mil. É uma desvalorização que causa uma evasão muito grande – disse.
Coordenador-geral de Articulação Institucional do MEC, Fernando Antônio dos Santos Matos defendeu que o governo tem apresentado propostas, mas admitiu que elas ainda não atingiram “tudo o que foi considerado ideal pelos sindicatos”.
– Mas é uma proposta boa e que foi avançando nas mesas de negociação – avaliou: – Independente do encerramento da greve, o governo vai dialogar pelas pautas importantes para os trabalhadores que constroem a educação em nosso país. O que nós estamos tendo agora são as divergências naturais do processo de negociação.
Já o diretor do Departamento de Relações de Trabalho no Serviço Público do MGI, Mario dos Santos Barbosa, afirmou que o governo tem trabalhado com “restrições fiscais e orçamentárias muito severas” que impedem a aplicação de reajustes “acima dos parâmetros que têm sido oferecidos às categorias”.
– Firmamos, em abril ainda, o compromisso de que os pleitos de natureza orçamentária, reajustes, a pauta salarial, seria trazida para as mesas específicas e temporárias. Nesse âmbito, foram realizadas cinco reuniões, onde foi exercido aí ao limite as possibilidades de atendimento das demandas. Na quinta reunião, foi efetivamente confirmada a proposta final do governo, esticando ao máximo os limites do que poderia ser oferecido. Desses limites, o governo reconhece que isso não é suficiente, entretanto, também não se trata de uma questão de aqui e agora, agora ou nunca, é tudo ou nada – disse.
Pontos da proposta
Na última terça-feira (dia 18), o comando nacional da greve dos professores universitários, ligado ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), solicitou que os docentes façam assembleias locais até esta sexta-feira (dia 21) para uma avaliação das propostas apresentadas pelo governo federal à categoria.
Em texto encaminhado aos professores, o comando informa os pontos da proposta do governo para a categoria: recomposição parcial do orçamento das universidades e institutos federais; implementação de reajuste de benefícios (auxílio-alimentação, auxílio-saúde suplementar e auxílio-creche), “apesar de ainda não haver equiparação com os benefícios dos demais poderes”; e elevação do aumento linear oferecido até 2026 “de 9,2% para 12,8%, sendo 9% em janeiro de 2025 e 3,5% em maio de 2026”.De acordo com o governo, com o reajuste linear de 9% concedido ao funcionalismo federal em 2023, o aumento total ficará entre 23% e 43% no acumulado de quatro anos. O MGI ressaltou que o governo melhorou a oferta em todos os cenários e que os professores terão aumento acima da inflação estimada em 15% entre 2023 e 2026.
Fonte
Greve de técnicos e professores da educação federal é tema de debate na Câmara dos Deputados
