A ex-namorada conta que estava pesando 20 quilos a menos que hoje quando foi resgatada pela mãe e pela avó na casa da família Cardoso.
A avó da ex-namorada de Ademar também prestou depoimento. Ela disse que a neta teve idas e vindas com o irmão de Djidja e que soube, antes do resgate, que a neta “estava ficando só pele e osso”.
Em um determinado momento, ela diz que percebeu que a neta tinha “as veias dos braços muito inchadas” e acabou ficando em tratamento por um ano. No momento do depoimento, a neta estaria limpa há um mês e em tratamento psicológico.
Por respeito às vítimas, os nomes delas e de seus familiares não serão revelados nesta reportagem. Os relatos são corroborados por vídeos que mostram mulheres claramente debilitadas depois do uso da substância injetável e com significativos impactos no corpo, como alterações nos olhos, no cabelo, na pele e nos movimentos, além do severo emagrecimento.
Parte dos vídeos mostram a atual companheira de Ademar, com quem ele mantém uma união estável, segundo o inquérito. Ela contou à polícia que sofre de depressão e que passou a usar ketamina por junto com Ademar durante a gravidez de um filho dele, tendo sofrido infeções urinárias cinco meses depois do parto, além de ficar com fígado e rins sobrecarregados, período em que chegou a ser internada.
Ela revelou que durante a internação, Ademar entrou no hospital levando ketamina e os dois se drogaram juntos.
O pai dela disse à polícia que a filha estava “com os braços todos marcados de tanto usar droga” e que o uso da ketamina a deixou “completamente aérea” e que ela “mal conseguia se vestir ou caminhar”.
Segundo ele, ela chegou a pesar 38kg e estava “com os olhos amarelados”, além de ter tido problemas no rim, fígado e pâncreas e vesícula.
Em entrevista à CNN, o médico intensivista Carlos Eduardo Pompilio explicou que a ketamina “tem alto poder viciante, é uma droga que surgiu na década de 1950 com a modificação de uma outra droga que tem um poder alucinógeno muito maior” e que “o grau de vício já era muito alto” àquela época.
“Ela está sendo usada como uma droga ilícita, num comércio ilícito, para fins recreativos”, disse.
Pompilio ainda explicou que o acesso da ketamina como uma substância veterinária tem um rigor muito menor do que as exigências para fins médicos. “É usada de uma forma muito descuidada e perigosa”, acrescentou o médico.
Os advogados da família Cardoso dizem que não havia seita ou rituais e que a prisão ajudou a ‘salvar’ a vida de Ademar e sua mãe, pois os dois estariam doentes por causa do vício em ketamina.