Da imigração libanesa à mira da PF: a trajetória do clã Haidar na fronteira de MS
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Da imigração libanesa à mira da PF: a trajetória do clã Haidar na fronteira de MS

Alvos de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão — sob a acusação de envolvimento em um esquema de tráfico internacional de drogas e armas que movimentou mais de R$ 500 milhões —, integrantes da família Haidar são conhecidos no comércio da fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

As investigações da Operação Ifrit, da Polícia Federal, apontaram que a liderança do esquema era comandada pelos irmãos Adel Hassan Haidar e Nasser Haidar, que estão foragidos, e Bassan Hassan Haidar, que está preso.

Imigrantes libaneses

Documentos judiciais de inventário protocolados na Vara Cível de revelam os detalhes da estrutura e das origens familiares que fundamentaram a presença da dinastia libanesa em Mato Grosso do Sul ao longo das últimas décadas.

A história da família no Brasil tem como marco central o patriarca Hassan Hussein Haidar Ahmad — pai dos três investigados citados. Consta nos registros que Hassan imigrou para o país, estabeleceu residência em Ponta Porã e obteve a cidadania e registro estrangeiro permanente no Brasil.

Após se aposentar e atuar no comércio da região fronteiriça, Hassan faleceu aos 86 anos, em 22 de abril de 2021, no Hospital Santa Rita, em . O patriarca deixou um espólio imobiliário em Ponta Porã, incluindo frações de terrenos urbanos e construções comerciais avaliadas judicialmente e partilhadas entre seus herdeiros.

Família de comerciantes

Entre os oito filhos, a maioria é qualificada profissionalmente como comerciante, na região de fronteira e em outros estados.

Outro membro da família que foi alvo da operação, mas já estava preso, é Maroan Fernandes Haidar Ahmed, condenado pelo assassinato de Fábio Batista da Silva na cidade de , em Mato Grosso.

As investigações revelaram que policiais vazavam informações estratégicas e prestavam apoio logístico às operações do crime organizado. Três policiais civis de Mato Grosso do Sul já foram afastados das funções por ordem da Justiça.

A organização criminosa transnacional usava Mato Grosso do Sul como rota central para o tráfico de armas e o envio de drogas para a Europa, com movimentação superior a R$ 500 milhões em apenas dois anos.

As investigações apontam que a estrutura de comando era estritamente familiar. Além dos três irmãos apontados como líderes, filhos e outros parentes integravam o primeiro escalão do grupo, dividindo tarefas financeiras e operacionais com operadores nacionais e estrangeiros.

Para garantir a impunidade e a livre circulação de cargas de drogas, o grupo cooptou policiais civis, militares e até um PRF (policial rodoviário federal).

Aparato militar na fronteira

Conforme a PF, o clã mantinha uma verdadeira estrutura de guerra na fronteira, ponto estratégico para a entrada de armas e drogas que, posteriormente, eram distribuídas a grandes centros consumidores no país e países da Europa, como Portugal e Espanha.

Para blindar os líderes e garantir a segurança das rotas e dos depósitos, a organização contava com uma estrutura logística avançada. Dessa forma, a PF mapeou e identificou o uso de aparato altamente tecnológico.

Assim, as investigações apontaram que o grupo utilizava veículos blindados para o deslocamento de lideranças e a escolta de cargas de alto valor.

Para garantir o monitoramento constante de movimentações policiais ou grupos rivais, os investigados também tinham à disposição drones e equipamentos de comunicação de última geração.

O armamento também era de alto poder ofensivo, como fuzis e farta munição.

Para acomodar tudo isso, o esquema montou estruturas como se fossem “fortalezas”, com abrigos para homens fortemente armados que faziam a segurança dos depósitos de armas e drogas.

A estrutura contava, ainda, com ações sistemáticas de contrainteligência para rastrear e antecipar eventuais investidas das forças de segurança estaduais e federais.

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