Ícone do site SUDOESTE MS

Caso Patrícia Amieiro: após Lessa citar como comparsa PM envolvido na morte de engenheira, mãe volta a cobrar justiça

Caso Patrícia Amieiro: após Lessa citar como comparsa PM envolvido na morte de engenheira, mãe volta a cobrar justiça


Tânia Márcia Amieiro, mãe de Patrícia, acha que se a justiça tivesse sido feita no caso de sua filha, morta em 2008, o outro crime de Fábio, cometido em 2014, poderia ter sido evitado O ex-policial Ronnie Lessa em seu acordo de delação premiada, confessou ter praticado outros crimes além dos homicídios da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Em um dos depoimentos, relatou ter matado o ex-policial André Henrique da Silva Souza, o André Zóio, tendo tido como comparsa nesse crime o policial Militar Fábio Silveira Santana, o Fábio Caveira, um dos réus do caso Patrícia Amieiro. Segundo Lessa, foi o PM quem atirou em Juliana Sales de Oliveira, namorada de Zóio.
Tânia Márcia Amieiro, mãe de Patrícia, acha que se a justiça tivesse sido feita no caso de sua filha, morta em 2008, esse outro crime de Fábio, cometido em 2014, poderia ter sido evitado. O desaparecimento da engenheira, após seu carro ter sido atingido por tiros de policiais, completa 16 anos na sexta-feira.
—A justiça (no caso de Patrícia) deveria ter sido feito há muito tempo, para não acontecer o que está havendo agora. Se essas pessoas (os envolvidos no crime) estivessem presas muitas coisas não estariam acontecendo. Mas, infelizmente é assim porque não tem justiça — criticou Tânia, ao comentar o relato de Lessa sobre a participação de Fábio na morte de Juliana.
O crime aconteceu em 14 de junho de 2014, na Gardênia Azul, comunidade na Zona Oeste do Rio. De acordo com as investigações, Zóio era rival do ex-vereador Cristiano Girão, durante uma disputa pelo controle da favela. Na ação, a companheira dele, Juliana Sales de Oliveira, também foi executada. O ex-parlamentar, denunciado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Milícias por supostamente chefiar uma organização criminosa no local, também foi alvo de operação da Polícia Civil pelo crime.
Em um dos anexos, ao qual O GLOBO teve acesso com exclusividade, Lessa discorre sobre a ida de Zóio de Campo Grande para a Freguesia, região então dominada por milicianos. O ex-PM afirma que isso deixou os moradores “apavorados” e que então decidiu por “eliminá-lo” dias após uma discussão que travaram em um bar:.
No depoimento, Lessa nega ter sido o responsável pela morte de Juliana. No relato, ele acusa Fábio como sendo o responsável pelo disparo que matou a companheira de Zóio.
“Para supostamente conferir o que não precisava ser conferido, o Fábio (Fábio da Silveira Santana, o Fábio Caveira, também investigado pelo crime) vem pela lateral do carro, dá mais um monte de tiro no André, que já estava morto, e mata a menina. Ele voltou para o carro, nós discutimos, e dali quase teve uma tragédia dentro do carro. (…) A partir disso, nossa amizade já não era mais amizade. Isso não era o combinado. Ele não precisava ter estragado tudo. Só o André era para ter morto, essa era a finalidade. Ele tinha que ter tido critério naquele momento”, diz o ex-PM.
Questionado pelos investigadores, Lessa negou conhecer Girão e afirmou que a motivação do homicídio de Zóio foi pessoal. O ex-vereador, no entanto, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio como o mandante do crime.
Tânia e sua família convivem com a dor e a revolta pela falta de justiça. Nesse meio tempo, Antônio Celso Amieiro, pai da engenheira, morreu em 2021, aos 63 anos, sem ver punidos os acusados pela morte da filha.
—Meu marido morreu esperando a justiça, que não veio. ficou depressivo e a saúde foi embora. Estou aqui firme e forte pedindo força a Deus e para que se consiga a justiça. Queria também saber onde foi parar (o corpo da) minha filha. Sei que não vou tê-la de volta, mas pelo menos alivia um pouco e vou ficar só com a saudade e as lembranças boas— desabafa.
Relembre o caso Patrícia Amieiro
Patrícia Amieiro desapareceu no dia 14 de junho de 2008. Ela estava voltando de uma festa na Zona Sul do Rio, quando, na Barra da Tijuca, teve o carro alvejado por policiais. O corpo dela nunca foi encontrado.
A defesa dos agentes diz que a engenheira perdeu o controle do veículo após os tiros, bateu em dois postes e em uma mureta, caindo na beira do Canal de Marapendi, na Barra da Tijuca, onde o foi encontrado. O vidro traseiro estava quebrado e o porta-malas aberto.
Já o Ministério Público reforça que os agentes atiraram contra o carro, retiraram Patrícia de dentro dele e o jogaram no canal, tentativa de evitar a descoberta do homicídio.

Fonte

Sair da versão mobile