‘Boca da Denar’: suposto desvio de drogas apreendidas pela PC rendeu R$ 1,6 milhão, diz Gaeco
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‘Boca da Denar’: suposto desvio de drogas apreendidas pela PC rendeu R$ 1,6 milhão, diz Gaeco

A denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) sobre um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) também identificou movimentações financeiras que indicariam lavagem de dinheiro.

As investigações fazem parte da Operação Infiltrados, que prendeu o delegado (afastado) Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa. Ao todo, 23 pessoas supostamente envolvidas foram denunciadas por integrar organização criminosa, corrupção, tráfico de drogas, peculato e lavagem de dinheiro. O Gaeco pede a condenação de todos, inclusive 10 policiais, e o pagamento de R$ 10 milhões.

O documento também levanta suspeitas sobre a evolução patrimonial do delegado Hoffman, apontado pela acusação como integrante da estrutura investigada.

A denúncia reúne diferentes frentes de apuração: o suposto desvio de entorpecentes que estavam sob custódia policial, a circulação de dinheiro entre pessoas e empresas relacionadas aos investigados e a suspeita de que recursos e bens teriam sido ocultados para dificultar a identificação de sua origem.

Movimentação financeira ultrapassou R$ 1,6 milhão

As movimentações rastreadas no período entre 17 de maio e 15 de outubro de 2024 totalizaram R$ 1.632.604,32, que tiveram como beneficiários finais ‘LK’ e a empresa L R Obras e Construções, conforme o levantamento apresentado pelo Gaeco.

A denúncia relaciona as movimentações ao contexto financeiro do suposto esquema criminoso investigado.
Para o Ministério Público, as operações indicariam que recursos relacionados ao tráfico de drogas desviadas da delegacia teriam circulado por diferentes contas, inclusive de terceiros, como forma de dificultar a identificação de sua origem e destinação.

A acusação também descreve o uso de dinheiro em espécie para pagamentos a agentes públicos. Conforme o documento, parte dos valores movimentados teria sido sacada e repassada pessoalmente a policiais civis envolvidos no esquema investigado.

A denúncia descreve 21 operações financeiras realizadas por duas investigadas que seriam as ‘testas de ferro’ do traficante Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, apontado como responsável pela articulação entre os policiais e os integrantes do tráfico. Ele forneceria informações sobre carregamentos que seriam interceptados, negociaria a quantidade de droga desviada e coordenaria a venda dos entorpecentes.

Delegado pagou R$ 400 mil em espécie por terreno no Alphaville

A denúncia levanta suspeitas relacionadas ao patrimônio do delegado Hoffman. A acusação situa o delegado na estrutura do suposto esquema de desvio de entorpecentes e investiga possíveis mecanismos de ocultação de recursos e bens.

Segundo a denúncia, o delegado Hoffman apresentou evolução patrimonial considerada incompatível com seus rendimentos lícitos durante o período em que esteve lotado na Denar.

O documento aponta que o total de bens e direitos declarados passou de R$ 374 mil, em dezembro de 2023, para R$ 1,22 milhão, em dezembro de 2025. No mesmo intervalo, as dívidas declaradas aumentaram de R$ 274,8 mil para R$ 1,36 milhão.

A denúncia ainda destaca a compra, em 2024, de um terreno no condomínio Alphaville I, declarado por R$ 400 mil e pago em dinheiro vivo, além de R$ 75 mil em espécie utilizados na aquisição de um Honda HR-V, modelo 2025.

Sobre a construção da residência no condomínio, o Gaeco afirma ter encontrado planilhas nos dados telemáticos do delegado que indicavam custo superior a R$ 1,6 milhão apenas para a etapa de acabamento.

Hoffman afirmou, em interrogatório, ter recebido um empréstimo de R$ 750 mil de um amigo, em dinheiro, na cidade de Goiânia, e disse ter investido a maior parte do valor na construção da casa. “Há inúmeros sinais de que se trata de mera simulação para mascarar o ingresso de dinheiro ilegal e compatibilizar a sua situação fiscal (manobra de lavagem de dinheiro)”, diz trecho da denúncia sobre o empréstimo.

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