Antonio Fagundes atravessa 2026 com um marco raro na dramaturgia brasileira. Aos 60 anos de carreira, o ator celebra uma trajetória sólida e, ao mesmo tempo, se prepara para reencontrar o público da TV Globo. Longe das novelas desde “Bom Sucesso”, exibida em 2019, ele retorna às telas em um projeto que une memória, afeto e reencontro com antigos parceiros de cena.
Na última passagem pela emissora, Fagundes integrou o elenco da trama escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm, contracenando com Grazi Massafera e Rômulo Estrela. Desde então, manteve o foco no teatro e em projetos pessoais, porém sem se afastar da arte que construiu sua identidade. Agora, o retorno acontece em “Quem Ama Cuida”, novela de Walcyr Carrasco com estreia prevista para maio de 2026.
Personagens que atravessaram décadas
Em entrevista ao “Fantástico”, Antonio Fagundes revisitou personagens que ajudaram a moldar sua imagem junto ao público. Ao longo dos anos, ele transitou com naturalidade entre vilões, mocinhos e figuras populares, sempre com forte apelo emocional.
Na televisão, nomes como “Rei do Gado”, “A Viagem” e “Vale Tudo” seguem vivos na memória coletiva. Além disso, séries como “Carga Pesada” ampliaram seu alcance, enquanto o cinema trouxe experiências marcantes, como em “Deus é Brasileiro”.
Ao refletir sobre essa jornada, o ator fez uma análise direta de sua própria obra. “Acho que fiz uns 20 personagens emblemáticos”, avaliou. Mesmo diante de um currículo extenso, Fagundes rejeita a ideia de peso profissional. Conforme ele destacou, a carreira sempre se sustentou no prazer de atuar. “Eu não trabalhei nenhum dia desses 60 anos, foi sempre um prazer muito grande”, afirmou.
Teatro, leitura e símbolos pessoais
Embora a televisão tenha levado seu trabalho a milhões de brasileiros, o teatro segue como pilar central de sua vida artística. Antes da fama nacional, aliás, Antonio já se destacava nos palcos, espaço que nunca abandonou.
Recentemente, ele alcançou 198 apresentações da peça “Dois de Nós”, em cartaz desde 2024, ao lado de Cristiane Torloni. Para o ator, o palco representa risco, liberdade e entrega total. “O teatro é a pátria do ator. É lá que o ator erra e ousa, é um salto triplo mortal sem rede, e essa que é a maravilha!”, definiu.
Fora de cena, a leitura ocupa lugar cativo em sua rotina. O interesse pelos livros nasceu ainda na infância e ganhou nova dimensão na vida adulta, quando decidiu dividir essa paixão com outras pessoas. “Eu comecei a prestar mais atenção na poesia e me encantei por esse universo de tal forma, que eu comecei a ler para as pessoas”, contou. Atualmente, ele realiza lives semanais no Instagram, onde conversa sobre obras literárias e estimula o hábito da leitura.
Além dos livros, Antonio Fagundes também reúne objetos simbólicos que refletem sua visão de mundo. Entre eles, estão miniaturas de caveiras, peças que carregam significado pessoal. “As caveirinhas são uma lembrança de humildade, a gente sabe onde é que vai parar e todo mundo cavar”, explicou, ao falar sobre o valor reflexivo da coleção.
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