Membros da Sala de Situação nacional sobre o El Niño discutiram o risco de aumento da circulação de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, na terceira reunião de monitoramento, realizada nesta segunda-feira (10). Mato Grosso do Sul enfrentou epidemia de chikungunya em 2026, com 12,5 mil casos prováveis e 30 mortes.
Membros da Sala de Situação nacional sobre o El Niño discutiram o risco de aumento da circulação de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, na terceira reunião de monitoramento, realizada nesta segunda-feira (10). Mato Grosso do Sul enfrentou epidemia de chikungunya em 2026, com 12,5 mil casos prováveis e 30 mortes.
As reuniões têm o objetivo de atualizar cenários climáticos e organizar medidas de preparação para os próximos meses. Conforme o Ministério da Casa Civil, que coordena a Sala de Situação, as ações serão definidas de forma regionalizada, de acordo com os impactos previstos em cada território.
No Centro-Oeste, a previsão é de que o El Niño provoque principalmente elevação das temperaturas, o que facilita a procriação do mosquito Aedes aegypti. Entre setembro e dezembro, o fenômeno pode chegar à intensidade muito forte, conforme a meteorologia.
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele enfraquece os ventos tropicais, altera a circulação atmosférica global e modifica os regimes de chuva e a temperatura em várias partes do planeta.
El Niño e chikungunya
Em junho, reportagem do Jornal Midiamax mostrou que o El Niño pode intensificar a circulação do vírus chikungunya antes do fim deste ano. Após meses de sucessivas altas e epidemia no Estado, a entrada no período mais seco e com temperaturas mais amenas contribuiu para reduzir a transmissão a partir do segundo semestre.
Dourados pode ter mais apoio nacional?
A Sala de Situação sobre o El Niño informa que entre as medidas de preparação estão a descentralização de bases da Força Nacional do SUS, o atendimento a municípios em situação de emergência, a preparação de kits de saúde e o acompanhamento específico nos distritos sanitários indígenas.
Dourados foi o epicentro da epidemia no Estado. O município segue em situação de emergência em saúde pública, após concentrar 5.169 dos 12.579 casos prováveis registrados em Mato Grosso do Sul (41%).

O infectologista Júlio Croda, da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), projeta que Mato Grosso do Sul pode registrar alto número de casos em 2027, com maior circulação do vírus a partir de dezembro, antes da época do ano em que os casos de arboviroses aumentam (janeiro a maio).
“Aumento de temperatura está associado à maior replicação do mosquito [Aedes aegypti]. Não só chikungunya, mas dengue também deve circular com mais intensidade”, alerta o especialista.
A infectologista Andyane Tetila reforça que temperaturas elevadas aceleram o ciclo de vida do mosquito e favorecem a replicação viral. “Entretanto, o impacto final depende da combinação de diversos fatores, como volume e distribuição das chuvas, condições ambientais, saneamento e ações de controle vetorial”, pondera.
Além disso, 18 das 30 mortes por chikungunya registradas em Mato Grosso do Sul ocorreram em Dourados — ou seja, 60%. Chama a atenção que 11 dessas vítimas eram moradoras da Reserva Indígena da cidade, público-alvo das ações de enfrentamento ao El Niño previstas pela Sala de Situação.
Ao Jornal Midiamax, a Prefeitura de Dourados informou que “o município segue em situação de emergência em saúde pública e o foco tem sido o combate ao mosquito Aedes aegypti“, e que “a curva epidêmica está em baixa”. A administração não teria sido comunicada sobre ações federais relacionadas ao El Niño.
Dourados recebeu mais de R$ 27,5 milhões em recursos federais para medidas de contenção do vírus chikungunya. A Força Nacional do SUS atuou por um mês no município, no primeiro semestre de 2026.
El Niño pode causar chuva de 200 mm no Sul
Além de altas temperaturas no Centro-Oeste e no Sudeste, o El Niño deve provocar chuvas intensas no Sul e estiagem no Norte e Nordeste. As previsões de curto prazo do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) indicam que a chuva pode chegar a 200 milímetros em sete dias em algumas áreas do sul do país.
Na área de energia e logística, estão sendo avaliadas medidas de antecipação de estoques de combustíveis em localidades e corredores logísticos que possam ser afetados pela redução dos níveis dos rios.
A reunião, coordenada pela Casa Civil, reuniu órgãos federais das áreas de meteorologia, recursos hídricos, defesa civil, saúde, segurança alimentar, energia e infraestrutura. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) apresentaram dados utilizados na avaliação dos riscos.
A partir dos cenários apresentados na Sala de Situação, equipes dos órgãos envolvidos deverão manter a articulação com estados e municípios para atualização dos planos de prevenção e resposta e definição das providências adequadas às condições de cada território.
Epidemia de chikungunya
Mato Grosso do Sul chegou a 9.832 casos confirmados de chikungunya e 30 óbitos pela doença em 2026, conforme dados do Boletim Epidemiológico referente à 30ª semana epidemiológica. O documento também aponta mais de 12,5 mil casos prováveis da doença.
Os óbitos foram registrados nos municípios de Dourados, Bonito, Jardim, Fátima do Sul, Douradina, Guia Lopes da Laguna, Itaporã, Ponta Porã e Nioaque. O boletim, publicado pela SES-MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul) nesta segunda-feira (10), também registra 114 casos confirmados da doença em gestantes.











