Seis pessoas foram alvos do Ministério Público Estadual de MS por improbidade administrativa, em Campo Grande. Eles formavam, segundo a investigação, a ”Máfia do Câncer”, que usava o Hospital do Câncer Alfredo Abrão, para desviar dinheiro do Sistema Único de Saúde. O órgão cobrou a devolução de R$ 102 milhões dos envolvidos.
Na ação, o MPMS investigou o médico Adalberto Abrão Siufi; a médica falecida em 2021, Betina Siufi, ex-diretora do hospital; o dono da clínica Neorad e sócio de Adalberto, Issamir Farias Saffar, Blener Zan, ex-diretor presidente do hospital; Luiz Felipe Terrazes Mendes, ex-diretor da Fundação Carmen Prudente [que administrava o hospital] e Adalberto Chimenes, ex-funcionário do hospital.
A ação foi recebida pela Justiça em agosto de 2014, mas o grupo já fora alvo de outros processos por acusações semelhantes. Em suma, a Promotoria alegou que o Hospital do Câncer Alfredo Abrão recebia dinheiro do SUS e contratava empresas de pessoas ligadas à unidade de saúde.
Em outro trecho, o MPMS acusa parte dos réus a autorizar e efetuar pagamentos sem prestação de serviços que justificassem o recebimento dos valores e ainda receber por plantões não realizados. Foi dito também que o hospital fazia pagamentos às empresas com valores de 70% acima do tabelado pelo SUS e contratar empresas sem quaisquer critérios formais e objetivos“.
Um dos episódios narrados pelos investigadores, o HCAA contratou a Neorad para sessões de quimioterapia e radioterapia em pacientes do hospital. Os valores eram pagos por meio de repasse da Prefeitura de Campo Grande e, em um determinado período, a gestão municipal enviou R$ 4,3 milhões ao hospital. Parte disso foi para as empresas de pessoas ligadas ao hospital.
Extinto
Apesar do farto conjunto de provas originadas na investigação, alguns dos réus acionaram o Tribunal de Justiça com um agravo de instrumento, julgado pela 2ª Câmara Cível do TJMS. A Corte, por unanimidade, acatou o pedido e extinguiu o processo sem resolução do mérito.
Na justificativa, os magistrados disseram que a Fundação Carmen Prudente, que gere o Hospital do Câncer, mantinha um mero contrato de prestação de serviços com o poder público. Sendo assim, não geria dinheiro público e não tinha destinação vinculada dos montantes.
Entramos em contato com os escritórios dos advogados dos ex-réus. A defesa de Issamir Saffar prometeu retorno. Deixamos recado para o profissional Leonardo Loubet, que defendeu Blenzer Zan. O telefone de Helvio Pissurno, que atua por Luiz Felipe consta como desligado. Não há divulgação de número telefônico da advogada Jaqueline Zambiasi, que repesentou Adalberto Chimenes. Não conseguimos o contato de Carlos Marques, que representa o espólio de Betina e Adalberto Siufi. No entanto, o espaço segue aberto.
Fonte









